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José Silvério Leite Fontes, uma das mais vigorosas
expressões do pensamento e das letras, em Sergipe

por João Oliva*

          José Silvério Leite Fontes foi, sem dúvida, uma das mais vigorosas expressões do pensamento e das letras, em Sergipe, da segunda metade da década de 40, do século passado, até perto da sua morte, ocorrida no final de 2005. Nascido em 1925, em Aracaju, aqui fez os estudos primários e iniciou os secundários, aos quais foi dar prosseguimento em Salvador, ali ingressando, em seguida, na Faculdade de Direito da Bahia, onde se formou em 1946. Retornando a Aracaju, passou a atuar na imprensa, no magistério e nos movimentos de ação católica. Um destes movimentos, por ele organizado, com duração do final de 1945 a 1951, congregou um grupo de militantes de ação católica, em Sergipe, sob o título “Grupo de Ação Social”, para estudarem a doutrina social da Igreja, expressa na Encíclica “Rerum Novarum”, do papa Leão XIII. Desta experiência resultou a autoria, por sete dos participantes do mesmo Grupo, de ensaios referentes à temática da mesma Encíclica (os quais viriam a ser reunidos num livro - somente publicado em 1991 - organizado pelo mesmo Silvério, intitulado “Igreja e Século”).

          Meu encontro efetivo com Silvério Fontes deu-se por volta de 1958, quando, depois de atuar como repórter na “Gazeta de Sergipe”, transferi-me para trabalhar n ´”A Cruzada”, na função de redator-chefe. Nesse jornal ele já vinha colaborando freqüentemente, desde 1951 – também escrevia em outros jornais - abordando os mais diferentes temas: sociais, políticos, sociológicos, educacionais e culturais, sempre dentro de uma firme visão filosófico-cristã; destes artigos muitos foram depois reunidos num livro intitulado “Coluna de Jornal”. Nossa relação se fortaleceu no tempo, à medida que passamos juntos a freqüentar outras reuniões de estudos sociais e religiosos, na sede da Ação Católica. Tomei-o juntamente com sua esposa) por padrinho de uma filha e elegi-o meu modelo, em jornalismo A esta altura ele já atuava no magistério do ensino médio e superior, tendo,. no Instituto de Educação Rui Barbosa (pertencente ao ensino médio), defendido tese de concurso, abordando “Jackson de Figueiredo – Sentido de sua obra”. No ensino superior atuava nas faculdades de Filosofia e de Serviço Social que, inclusive ajudou a fundar e onde ensinava História e Filosofia; na Faculdade de Direito, ensinava Direito Internacional Público.. Foi, também, em 1968, um dos fundadores da Universidade Federal de Sergipe, em cujo Departamento de História defendeu tese para a Cátedra de História, em concurso de livre docência.

          Como advogado lançou-se candidato à presidência da seção regional da OAB, sendo eleito por duas vezes, granjeando elevado prestígio entre a classe, por sua seriedade e competência. Na sua gestão adquiriu novo prédio anexo à antiga sede que ampliou e equipou. Na vida literária destacou-se como escritor de ensaios sobre temas de História, Filosofia, Sociologia e Religião.. Sua obra compreende 07 livros intitulados: “Jackson de Figueiredo – Sentido de sua obra” editado em 1951 e reeditado em 1998 sob o título “Razão e Fé em Jackson de Figueiredo”, “ Coluna de Jornal”(1985), “Marxismos na Historiografia Brasileira Contemporânea” (2001), “Formação do Povo Sergipano” ,“O Pensamento Jurídico Sergipano”(2003).”Igreja e Século” em co-autoria (1991) e “Ser, Mundo e Esperança”(2003), além de conferências e artigos publicados esparsamente em jornais e revistas. Eleito para a Academia Sergipana de Letras, ocupou a cadeira n º 5, cujo patrono é Ivo do Prado. Pela década de 80, liderou um grupo de intelectuais de que também fiz parte, que se reuniam um dia por semana no Clube Cotinguiba, depois na casa dele próprio, dedicando-se a estudos de filosofia e teologia. Foi, enfim, jornalista, escritor, acadêmico da ASL, advogado, professor, historiador, filósofo, sociólogo e líder católico. Pelo ano de 1987 sofreu um grave problema de saúde que o prostrou numa cadeira de rodas, paralisando progressivamente os seus movimentos até deixá-lo .quase sem poder falar, embora ainda o mantivesse consciente. Foi o seu calvário que ele aturou com profunda resignação cristã , sem nunca demonstrar um gesto de revolta. Até que morreu aos 80 anos de idade, no dia 06 de dezembro de 2005, abrindo uma enorme lacuna na cultura, no laicato católico e na sociedade sergipana.

* João Oliva Alves, jornalista, escritor, acadêmico da ASL.

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